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Lauro César Muniz

Lauro César Muniz autor de grandes sucessos da teledramatugia brasileira comenta sua nova novela: “Cidadão Brasileiro”

Lauro César Muniz nasceu em Ribeirão Preto no dia 16 de janeiro de 1938. Iniciou a carreira escrevendo para teatro, tendo ganho em 1959 dois prêmios por sua peça Este Ovo É um Galo.

Em 1963, é encenada a peça que lhe daria maior projeção, O Santo Milagroso, que depois seria adaptada para cinema e televisão.

Em 1966, escreve sua primeira telenovela, Ninguém Crê em Mim, produzida pela TV Excelsior.

Em 1970, escreve uma bem-sucedida novela adaptando o romance As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis, para uma produção da TV Record, emissora na qual faria ainda Os Deuses Estão Mortos e sua seqüência Quarenta Anos Depois.

Sua estréia na Rede Globo acontece em 1972, como substituto do autor Bráulio Pedroso na tarefa de escrever a novela O Bofe. Trabalho considerado satisfatório, Lauro então recebe carta branca para escrever uma história com autor principal, e estréia de fato como novelista na emissora com Carinhoso.

Em 1974, começa junto com Gilberto Braga, a escrita da novela Corrida do Ouro, mas acaba levando a empreitada adiante sozinho a partir de um determinado ponto, já que Gilberto, inexperiente à época, não se habituou ao ritmo de trabalho.

Seu primeiro grande sucesso na Globo (e uma das mais representativas telenovelas brasileiras) vem em 1975, no horário nobre das 20h: Escalada, que conta a trajetória de Antônio Dias (Tarcísio Meira), personagem inspirado no próprio pai de Lauro César.

Lauro escreveu outros grandes sucessos na Globo, como, “O Salvador da Pátria” em 1989. Depois de cinco anos sem emplacar nenhum de seus projetos na Rede Globo, entre os quais uma minissérie sobre o poeta Castro Alves e uma outra de nome A Imperatriz do Café, Lauro César Muniz transferiu-se para a Record e desenvolve uma nova história, de nome Cidadão Brasileiro, para o horário nobre. A trama tem elementos de sua clássica Escalada, e seu eixo central é ascensão de um homem, da juventude à velhice.OBRAS DO AUTOR

TV EXCELSIOR:

  1. Ninguém Crê em Mim (1966)

TV TUPI:

  1. Estrelas no Chão (1967)

TV EXCELSIOR:

  1. O Morro Dos Ventos Uivantes (1968)

TV RECORD:

  1. As Pupilas Do Senhor Reitor (1970)

  2. Os Deuses Estão Mortos (1971)

  3. Quarenta Anos Depois (1972)

  4. Cidadão Brasileiro (2006)

REDE GLOBO

  1. Carinhoso (1973)

  2. Corrida Do Ouro (1974), com Gilberto Braga.

  3. Escalada (1975)

  4. O Casarão (1976)

  5. Espelho Mágico (1977)

  6. Os Gigantes (1979)

  7. Transas e Caretas (1984)

  8. Um Sonho a Mais (1985), com Mário Prata.

  9. Roda De Fogo (1985), com Marcílio Moraes.

  10. O Salvador sa Pátria (1989)

  11. Araponga (1991) com D.Gomes E F. Gullar.

  12. Zaz¡ (1997)

SUPERVISÃO:

  1. Perigosas Peruas de Carlos Lombardi.

  2. Sonho Meu de Marcílio Moraes.

  3. Quem é Você escrita por Rosane Lima e Aimar Labaki.

  4. Finalização de O Bofe de Bráulio Pedroso (1972).



O Planeta TV: Em primeiro lugar, Lauro César Muniz quero agradecer por esta entrevista.

Lauro César Muniz: É um prazer estar na sua página. Já li algumas entrevistas feitas com colegas meus e acho seu trabalho sério.

O Planeta TV: Não é a primeira vez que o senhor trabalha na Record. Em 1970, o senhor escreveu a novela As Pupilas do Senhor Reitor. Como é hoje em dia estar de volta à emissora que deu impulso a sua carreira?

Lauro César Muniz: Eu costumo dizer que trabalhei de 1970 a 1972 na TV Record, depois fiz um estágio rápido de 33 anos na Rede Globo e estou agora voltando para a TV Record para ficar até a eternidade.

O Planeta TV: O senhor começou escrevendo para o teatro, depois começou a escrever para a TV, passando pela Excelsior, Tupi, Record, TV Globo e Band. Comenta um pouco sobre sua carreira.

Lauro César Muniz: Sou um velho dramaturgo e roteirista de cinema e televisão, brasileiro, nascido em Ribeirão Preto, em 1938. Estreei no teatro com “O Santo Milagroso” (1963), e tive o privilégio de, em 1979, ter a primeira peça política liberada com o relaxamento da censura após muitos anos de ditadura com “Sinal de Vida”. Escrevi depois as peças “Direita, Volver!” (1985), “Luar em preto e branco” (1992) e “O Santo Parto” (2004).

Para a televisão escrevi muitas novelas sendo a primeira “Ninguém crê em Mim” em 1966 na TV Excelsior. Portanto este ano estou fazendo 40 anos de telenovelas. Entre meus trabalhos gosto de citar “Escalada” (1975), “O Casarão” (1976), “Espelho mágico” (1977) e “O Salvador da Pátria” (1989). E a minissérie “Chiquinha Gonzaga” (1999).

Para o cinema escrevi vários roteiros entre os quais tenho preferência por “O Santo Milagroso” (1965), dirigido por Carlos Coimbra, “O crime do Zé Bigorna” (1974), dirigido por Anselmo Duarte e “Forever” (1988), dirigido por Walter Hugo Koury. Fiz dois roteiros recentemente para cinema: “Chiquinha Gonzaga”, um musical que será dirigido por Jorge Bodanzki, em fase de levantamento de recursos e “Os Demônios”, que será dirigido por João Batista de Andrade, em 2007.



O Planeta TV: Qual novela o senhor achou mais difícil escrever? E por que?

Lauro César Muniz: Sem dúvida foi “O CASARÃO” em 1976. Uma novela em que eu narrava simultaneamente a história de cinco gerações de uma mesma família em um casarão do interior de São Paulo. Eram três fases que se cruzavam na mesma ação: a primeira fase ia de 1900 até 1910, a segunda 1926 até 1936 e a terceira na atualidade.

A ação passava de uma fase a outra, não com recurso de flashbacks, mas como estrutura narrativa. Uma mistura de épocas em um mesmo capítulo, narrando três histórias diferentes e que acabavam se cruzando. Um difícil trabalho de “relojoaria” dramatúrgica. Trabalhei sem ajuda de colaboradores e sem pesquisador.

O Planeta TV: Em 1996, o senhor ajudou escrever 24 capítulos de “Quem é Você”. Solange Castro Neves foi afastada e o senhor foi obrigado a escrever a novela até o fim. Assim, como, “Zazá” a novela “Quem é Você” teve problemas em termos de audiência. O que acha que deu de errado em ambas novelas?

Lauro César Muniz: “Quem é você” era uma novela bastante fraca e eu fiz a bobagem de topar ser o supervisor. A autora tentou emancipar-se de mim, perdeu o rumo, não tinha nenhuma competência para escrever novelas. Tive de assumir a novela com dois colegas. Modificamos toda a estrutura e rumos da história. Não foi tão mal de audiência e vendeu bastante para o exterior.

“Zazá” era uma farsa muito divertida que tinha Fernanda Montenegro, soberba no papel título. Foi muito bem até o capítulo 70 quando me cansei e dividi o trabalho com 3 colaboradores muito talentosos. Mas eu não soube coordenar o trabalho dos colaboradores, a novela virou uma colcha de retalhos absurda, tola. Foi mal de audiência, mas muito bem, se comparada a outras novelas que a sucederam nos anos seguintes. Depois de Zazá decidi escrever apenas minisséries, retomando somente agora com “Cidadão Brasileiro”.

O Planeta TV: O que levou o senhor a deixar a TV Globo? O senhor chegou a oferecer “Cidadão” para a emissora?

Lauro César Muniz: Deixei a TV Globo por absoluta incompatibilidade intelectual com Mário Lúcio Vaz, diretor de teledramaturgia. Hoje torço muito pelo Mário Lúcio permanecer no cargo para termos mais chances de brilhar na TV Record. “Cidadão Brasileiro” nasceu depois que eu deixei a TV Globo.

O Planeta TV: A Record vem investindo pesado em teledramaturgia e vem conquistando o seu espaço. Como o senhor analisar essa grande conquista da Record?


Lauro César Muniz: O projeto da TV Record é bastante sério. O slogan “A caminho da liderança” não é uma fantasia comercial, mas uma meta que será cumprida a médio prazo. Já tem um grande sucesso de audiência: “Prova de Amor” de Tiago Santiago é um marco muito importante que está alavancando a audiência da emissora e provou que a TV Record não está brincando.

O Planeta TV: O elenco de “Cidadão” foi fechado com grandes estrelas, como, Leonardo Brício, Lucélia Santos, Gabriel Braga Nunes, Paloma Duarte, Tuca Andrada, Carla Regina, entre outros. Como foi o fechamento deste elenco com grandes estrelas globais?

Lauro César Muniz: Foi muito difícil. O Flávio e eu nos concentramos sobre várias possibilidades de atores e atrizes para cada personagem. Alguns convites a atores da Globo encontraram dificuldades sérias. Correu um zum-zum, de que a Globo estava ameaçando seus atores a não mais trabalhar lá, se aceitassem trabalhar na TV Record.

O Planeta TV: “Cidadão” foi adiado várias vezes pela Record. É verdade que um dos principais motivos foi à falta de atores para fechar o elenco?

Lauro César Muniz: Não apenas a dificuldade de formar elenco, mas a própria dificuldade de se realizar uma novela em época diferente: 1955. Era preciso construir uma cidade cenográfica o que demandava tempo. Além disso ponderou-se seriamente que seria melhor estrear em março do que em novembro, para um retorno mais seguro.

O Planeta TV: O que o público pode esperar de “Cidadão Brasileiro”?

Lauro César Muniz: Uma história humana preocupada em vincular as ações à história do nosso país. Com muitos ganchos, movimentada, dinâmica, com uma narrativa rigorosa, sem as facilidades de alguns truques. Personagens interessantes vividos por ótimos atores e atrizes. Uma direção segura de Flávio Colatrello, um acabamento esmerado de pesquisa, com trilha sonora adequada.

O Planeta TV: Inicialmente a trama estava prevista para entrar no ar às 21h. Qual foi o motivo que levou a tomar decisão de exibi-la às 20h30min?


Lauro César Muniz: Vamos enfrentar duas faixas da programação da concorrente que são tabus: Jornal Nacional e Novela das Oito. Assim é natural que criemos uma estratégia: CIDADÃO BRASILEIRO, que terá 60 minutos no ar, entrará 20 minutos antes da concorrente, cujo horário é 20:50.

Portanto, enfrentará Belíssima durante 40 minutos, não está evitando o “choque” com a novela da Globo. Competirá com ela durante 40 minutos. Trata-se de estratégia de uma novela que enfrentará outra que já terá, em 13 de março, mais de 100 capítulos exibidos.

O Planeta TV: Quantos capítulos estão previstos para “Cidadão Brasileiro”?

Lauro César Muniz: Em volta de 200 capítulos.

O Planeta TV: O senhor vai escrever “Cidadão” sozinho ou com colaboradores?

Lauro César Muniz: Tenho uma colaboradora, Dora Castellar, roteirista e dramaturga. Sua peça teatral “Norma” com Du Moscovis é um grande sucesso do teatro, nos últimos anos.

O Planeta TV: Quantos capítulos de frente o senhor já tem escritos de “Cidadão Brasileiro”?

Lauro César Muniz: Já escrevi 34 capítulos. Tenho uma frente de 28 capítulos com relação à produção.

O Planeta TV: É verdade que “Cidadão” vai ter alguma coisa da novela “Escalada”?

Lauro César Muniz: A novela não será um remake de meus trabalhos anteriores, mas a fusão de alguns temas por mim já abordados em 40 ANOS DEPOIS, novela produzida em 1972 pela TV Record, ESCALADA, na TV Globo, 1975, O CASARÃO, na TV Globo, 1976, e da peça teatral LUAR EM PRETO E BRANCO, encenada em 1992. O resultado será uma nova novela com a estrutura dos trabalhos mencionados.

O Planeta TV: “Cidadão” vai bater de frente com o Jornal Nacional e Belíssima. Um horário complicado em termos de audiência. Quantos pontos o senhor espera alcançar com “Cidadão”?

Lauro César Muniz: Em torno de 15 pontos estará muito bom.

O Planeta TV: O senhor muda o rumo da história se a audiência não estiver agradando?

Lauro César Muniz: Não.

O Planeta TV: Bom, desejamos todo o sucesso para “Cidadão Brasileiro” e torcemos para que consiga bons índices de audiência.

Lauro César Muniz: Muito obrigado! Gostei da entrevista.

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