top of page

Aguinaldo Silva

Aguinaldo Silva um dos grandes autores da teledramaturgia brasileira comenta sobre os seus sucessos. Escritor e jornalista pernambucano (7/6/1944-).

Com mais de 20 livros publicados, é roteirista de telenovelas e de minisséries da TV Globo.

De família pobre, Aguinaldo Ferreira da Silva nasce em Carpina, onde mora até os 7 anos, quando se muda para o Recife.

Estuda em ótimos colégios, graças ao esforço dos pais. Aos 14 anos começa a trabalhar em um cartório e com 16 publica o primeiro livro, A Redenção de Job. Torna-se em seguida repórter do recém-lançado jornal Última Hora, do Nordeste, a convite do jornalista Samuel Wainer.

Dois anos mais tarde muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha no Última Hora carioca e no Jornal do Brasil. Em 1974 passa a ser sub-editor de assuntos policiais do jornal O Globo. Em razão dessa experiência, chega à TV Globo em 1978, como um dos roteiristas do seriado Plantão de Polícia, destacando-se na discussão dos problemas ligados à marginalidade.

Em seguida escreve a primeira minissérie da TV, Lampião e Maria Bonita. Em 1983 assina com Doc Comparato a minissérie Bandidos da Falange. No ano seguinte estréia como novelista, com Partido Alto.

Alcança projeção nacional ao escrever com Dias Gomes a novela Roque Santeiro, em 1985. É responsável também por sucessos como O Outro (1987), Tieta (1989), Pedra sobre Pedra (1992), Fera Ferida (1993), A Indomada (1997) e Suave Veneno (1999). Entre seus livros publicados, destacam-se O Crime Antes da Festa, Sábado Maldito e Giovanni Improtta.

Aguinaldo Silva concedeu com enorme carinho uma entrevista para “O Planeta TV” na qual falou um pouco do início de sua carreira, dos seus grandes sucessos e de seus trabalhos futuros.TRABALHOS NA TV:

AUTOR

  1. Senhora do Destino

  2. Porto dos Milagres

  3. Suave Veneno

  4. A Justiceira

  5. A Indomada

  6. O Campeão

  7. Fera Ferida

  8. Pedra sobre Pedra

  9. Riacho Doce

  10. Tieta

  11. O Outro

  12. Tenda dos Milagres

  13. Roque Santeiro

  14. Partido Alto

  15. Padre Cícero

  16. Bandidos da Falange

  17. Lampião e Maria Bonita

  18. Plantão de Polícia

  19. Carga PesadaCO-AUTOR

  20. Vale Tudo

  21. Roque Santeiro

SUPERVISOR

  1. Meu Bem Querer



O Planeta TV – Em primeiro lugar agradecemos por esta entrevista onde os planetários poderão conhecê-lo melhor profissionalmente.

Aguinaldo Silva – Na verdade eu mesmo sou um dos seus planetários. Frequento o seu site desde o início de Senhora do Destino e posso dizer, sem medo de errar, que ele é o mais simpático de todos os sites especializados em notícias sobre televisão.

O Planeta TV – O senhor trabalhou como jornalista antes de ser contratado pela TV Globo no final da década de 70. Comente um pouco sobre o início de sua carreira até conseguir uma vaga na TV como roteirista e autor de grandes sucessos.

Aguinaldo Silva – Fui jornalista durante dezoito anos. Antes, já tinha estreado na literatura, aos dezesseis anos, com o romance “Redenção para Job”. Durante esse meu período no jornalismo continuei publicando outros livros (treze, no total).

Da televisão eu era apenas um telespectador, e nunca me passou pela cabeça que um dia me tornaria um dos seus roteiristas. Foi Daniel Filho que teve a idéia de me convidar para escrever o seriado Plantão de Polícia. Depois escrevi Lampião e Maria Bonita, que foi a primeira minissérie da televisão brasileira. Mesmo aí, eu achava que novela não era a minha praia, mas aí Boni me chamou para escrever Partido Alto junto com Glória Perez, e aí…

O Planeta TV – O senhor escreveu a novela Partido Alto junto com Glória Perez. Boatos dizem que vocês terminaram a novela brigados. Até que ponto isto é verdade e qual seria o verdadeiro motivo?

Aguinaldo Silva – Quando eu escrevi Vale Tudo junto com Gilberto Braga uma certa apresentadora narrou em seu programa de rádio a briga que eu e ele tivemos nos corredores da TV Globo: “os dois se estapearam!”, ela anunciou, divertida.

Era tudo mentira. Do mesmo modo é mentira essa suposta briga entre Glória Perez e eu. Há anos pessoas fofoqueiras vêm tentando criar um clima hostil entre nós. Ainda outro dia alguém me mandou um e-mail anônimo, acompanhado de trecho de um e-mail da própria Glória, para afirmar que ela nunca pronuncia o meu nome, só me chama de “O Outro”.

Aproveito a sua pergunta para dizer que não acredito em nada disso. Respeito Glória como profissional, como pessoa e como colega de profissão e tenho certeza que meus bons sentimentos em relação a ela são recíprocos.



O Planeta TV – Como anda a sua relação com Glória Perez?

Aguinaldo Silva– Acho que já respondi a isso na pergunta anterior. Claro, Glória e eu somos rivais porque cada um de nós, bem como os outros autores, quer escrever a melhor novela de todas. Essa competição eu acho muito saudável, já que não é pessoal. Não me encontro com Glória nem mais nem menos que os outros autores, pois sou uma pessoa muito reservada e só costumo cruzar com meus colegas de profissão nas reuniões agendadas pela TV Globo. Mas acompanho com a maior atenção o trabalho dela.

O Planeta TV – Quando a TV Globo divulgou que a novela América tinha ultrapassado Senhora do Destino o senhor rebateu e desmentiu a notícia. A trama de Glória Perez terminou 1 ponto abaixo de Senhora do Destino. O senhor ficou sabendo qual foi o motivo da divulgação equivocada da TV Globo?

Aguinaldo Silva – Não, mas compreendo que para a TV Globo, por razões mercadológicas, a novela mais importante é que está no ar. Aliás, de certa forma eu também concordo com isso: acho que não existe nada mais antigo que a novela de ontem. O que conta é a atual. De qualquer modo, em relação à Senhora do Destino eu tenho orgulho de ter batido todos os récordes de audiência, e minha reação naquela época foi porque gostaria que só se falasse a respeito da quebra desses récordes quando isso realmente acontecesse (não aconteceu ainda, Senhora continua recordista).

O Planeta TV – O senhor escreveu junto com Dias Gomes a novela Roque Santeiro que até então é a trama de maior audiência da história da TV Globo. Trabalhou também em outras tramas junto com Gilberto Braga, Ricardo Linhares e Glória Perez. Comente um pouco sobre essas parcerias de grande sucesso.

Aguinaldo Silva– Quando você inicia uma longa viagem, a primeira coisa que faz é se enturmar com outros viajantes e eleger aqueles que lhe farão companhia. Novela é uma longa viagem, e pode ser insuportável se você enfrentá-la sozinho. Adoro trabalhar em parceria.

Para isso, costumo escolher com muito cuidado meus companheiros de novela. Trabalhar com cada um dos que você citou acima foi sempre uma experiência positiva. Gilberto é um mestre, Glória desconhece limites e não tem medo de nada, Ricardo é o equilíbrio e a razão em forma de gente.

Quanto a Dias Gomes, na verdade nós não escrevemos juntos: ele escreveu os primeiros 40 capítulos de Roque Santeiro, eu escrevi os 160 seguintes e ele escreveu os 30 finais. Enquanto eu escrevi, ele sequer leu os capítulos, e provavelmente nem os viu no ar. Nessa novela meus companheiros de viagem foram dois autores pelos quais tenho o maior respeito: Marcílio Moraes e Joaquim Assis, sem falar no meu maior parceiro de todos, sem o qual eu não teria chegado aonde cheguei: Paulo Ubiratan, o diretor daquela e de outras das minhas novelas.


O Planeta TV– Suas novelas sempre agradaram o público e registraram grandes índices de audiência, podemos citar Pedra Sobre Pedra, Fera Ferida e Tieta que estão entre as novelas de maiores audiências da Rede Globo. De onde vem essas inspirações para conseguir agradar ao público brasileiro?

Aguinaldo Silva – Você esqueceu de incluir A Indomada na lista acima! Mas, brincadeiras à parte, acho que o público brasileiro gosta das minhas novelas porque se reconhece nelas. Eu vim de uma família humilde, sou filho de um frentista de posto de gasolina e uma senhora de prendas domésticas.

Começei a trabalhar e me sustentar aos 14 anos de idade, até chegar aonde cheguei comi o pão que o diabo amassou e, principalmente, vi coisas demais e aprendi muito. São essas experiências, que não são originais, porque elas também são da maioria dos brasileiros, que hoje eu coloco em minhas novelas. Por isso elas são tão populares.

O Planeta TV – Em 1999 o senhor mudou o estilo e escreveu Suave Veneno sua primeira novela urbana. A trama não foi muito bem de audiência, mas o senhor parece ter gostado do estilo tanto que continuou com o estilo urbano em Senhora do Destino. Por que o senhor acha que Suave Veneno não agradou tanto?

Aguinaldo Silva – É simples: a novela enfrentou, no mesmo horário, uma verdadeira tsunami, um furacão que atendia pelo mimoso nome de Ratinho. Acho que, naquela época, qualquer que fosse a novela enfrentaria os mesmos problemas de audiência. Ratinho era uma novidade absoluta para os padrões até então muito rígidos da tevê brasileira.

Ele era, sem que isso deva ser visto como um juízo de valor, a glorificação da falta de vergonha absoluta. O público ficou fascinado com essa novidade, e Suave Veneno pagou por isso. O interessante é que, nas vendas para o exterior, a novela se transformou num sucesso.

Continua sendo exibida em várias partes do mundo, agora mesmo está sendo exibida pela terceira vez em Portugal. Quanto a Senhora do Destino, vou lhe contar um segredo: embora ela pareça urbana, tem a mesma chave das minhas novelas rurais. Eu não mudei nada, só dei uma disfarçada no meu estilo.


O Planeta TV – Depois de Suave Veneno o senhor escreveu Porto dos Milagres e voltou com os estilos regionais com tipos marcantes e realismos fantásticos assim como Tieta e Fera Ferida e a trama conseguiu bons índices de audiência. Segundo boatos o senhor não gostou de escrever Porto dos Milagres. Isto é verdade? E qual seria o motivo?

Aguinaldo Silva– O motivo por que não gostei de escrever Porto dos Milagres é que eu descobri, graças a ela, que tinha o péssimo costume de “botar azeitona nas empadas dos outros”, ou seja: fazia adatapções de obras alheias. Pegava um livro do Autor X, virava-o pelo avesso, transformava-o numa obra minha – e uma novela, por suas dimensões, é sempre uma obra de quem a escreve -, mas era sempre o Autor X quem levava fama. Fiquei tão aborrecido com Porto dos Milagres que quase me aposentei. Mas, quando a vontade ficou forte demais, deitei na cama e esperei que ela passasse. E então decidi que a partir dali só escreveria histórias originais, ou seja: minhas.

O Planeta TV – Em Senhora do Destino o senhor abordou sobre o seqüestro de crianças e conseguiu cravar índices de audiência que a Globo não alcançava a mais de 10 anos. Como surgiu a idéia de escrever uma novela realista? O senhor esperava tamanha audiência que foi alcançada pela trama?

Aguinaldo Silva– Eu pensei: com tudo o que está acontecendo na vida real, se eu botar gente voando na minha novela o público vai achar uma bobagem, uma idiotice. Se eu quiser provocar algum interesse, dessa vez vou ter que correr atrás da realidade. Foi o que fiz.

Agora, quanto à audiência, pra falar a verdade, eu achava que Senhora do Destino era ma faca de dois gumes, podia ser rejeitada por ter como personagens principais – e sérios – os suburbanos, e por isso se transformar num grande fracasso. Eu me arrisquei muito, quase tanto como na vez em que fugi do Esquadrão da Morte, em 1968, correndo sobre os telhados da Lapa. Felizmente eu sobrevivi naquela vez, e agora sobrevivi de novo.


O Planeta TV – O senhor escreve novela pensando em audiência? Se a audiência não é atingida o senhor muda o destino dos personagens?

Aguinaldo Silva– Eu não escrevo pensando em audiência, mas só por uma razão: a novela não me dá tempo para pensar em outra coisa que não seja nela. O ato de escrever a novela, e administrar o circo em torno dela, me toma todo o tempo. Mas mesmo sem ser fanático pela audiência eu pude ver, por exemplo, em Senhora do Destino, que no começo o personagem Shao Lin não estava agradando, e por isso tratei de mudar o seu destino. E aí ele funcionou.

O Planeta TV– O senhor já tem alguma novela na cabeça?

Aguinaldo Silva– Tenho várias, mas não sei se ainda escreverei alguma. Estou ainda naquela fase, que comigo sempre se repete quando termino um trabalho, em que basta alguém pronunciar a palavra “novela” perto de mim e eu já saco da minha pistola.

O Planeta TV– Já tem alguns atores reservados para sua nova trama? Pode citar alguns?

Aguinaldo Silva– Wolf Maya, diretor sem o qual eu nunca mais escreveria, perguntou se eu ia querer alguém. Eu disse a ele que sim, ia querer todo o maravilhoso elenco de atores brasileiros. Mas como aí não sobraria nada para os outros, eu pedi que ele reservasse alguns: Susana Vieira é a primeira da lista. Como essa lista tem sido ampliada com o decorrer dos dias, eu prefiro não falar sobre ela por enquanto.

O Planeta TV– É verdade que o senhor pensa em desistir de escrever novelas?

Aguinaldo Silva– Acho que já respondi a isso: nesse momento é só no que penso. Mas isso é uma virose que daqui a pouco passa. Agora uma coisa eu garanto: mesmo que escreva as duas ainda previstas em meu contrato, depois não escreverei mais nenhuma.



O Planeta TV – A TV Globo vem lutando na justiça para reprisar Porto dos Milagres e não em conseguindo a sua liberação para ser exibição. Por que o senhor acha que a justiça estar vetando a trama, pois na época de sua exibição a justiça não interferiu assim como fez com Laços de Família de Manuel Carlos?

Aguinaldo Silva– Eu não apenas acho, tenho certeza que o veto a Porto dos Milagres é político. Todas as denúncias que estarreceram o país nos últimos tempos já apareciam na novela. Lembra do personagem de Fagundes, o governador, e do senador vivivo por Lima Duarte? A exibição da novela agora daria a ela uma perigosa atualidade que certamente não interessa aos que detêm o poder.

O Planeta TV – Tem alguma novela que o senhor tem um carinho especial e gostaria que fosse reprisada?

Aguinaldo Silva– Não. Sou muito bem pago para escrever histórias originais. Por isso não tenho interesse em ver minhas novelas reprisadas, e muito menos me interesso pela onda dos remakes.

O Planeta TV – Recentemente o senhor lançou um livro chamado “Prendam Giovanni Improtta” devido ao grande sucesso do personagem em Senhora do Destino. Comente um pouco sobre o livro.

Aguinaldo Silva– O livro na verdade é antigo, foi publicado originalmente em 1983. Ou seja, Giovanni Improtta, o personagem que fez tanto sucesso na novela, já era personagem de um livro há mais de vinte anos. Infelizmente só agora foi descoberto, mas pelo menos sua passagem pela tevê ajudou a vender o livro em sua reedição.

O Planeta TV – Novamente muito pela atenção e desejamos desde já sucesso para o livro e aguardamos ansiosamente a sua próxima novela.

Aguinaldo Silva– Eu é que agradeço a você. Mas, quanto à minha novela, antes dela vamos continuar vendo Belíssima, depois a novela do Manoel Carlos, depois a do Gilberto, e depois ainda o remake do Benedito Ruy Barbosa. Um verdadeiro dream team, não é mesmo?



5 visualizações0 comentário

Comments


bottom of page