top of page

Por dentro do Zorra

Por Matheus Colen

Um dos maiores desafios de qualquer programa de televisão é se manter interessante por um longo período de tempo. No ar desde 1999 na Globo, Zorra Total, trabalhava com fórmulas de sucesso que foram apresentando desgaste, ano após ano. Após passar por um processo de reformulação que durou cerca de um ano, o novo Zorra estreou em Maio de 2015 e teve um retorno positivo da crítica.

Clipe de abertura do novo Zorra

O clipe em destaque neste artigo foi exibido no início do primeiro episódio pós-reformulação. Ele introduz o novo formato, apresenta o elenco e dá uma boa ideia da abordagem que foi escolhida para as piadas. Um formato que sabe zombar de si mesmo.

Equipe Zorra no Emmy Internacional

Parte da equipe do ZORRA no Emmy Internacional de 2016: Juca Filho, Luiza Yabrudi, Tatá Lopes, Joana Penna, Diego Molina, Manuel Antonio Fragoso, Gabriela Amaral, Celso Taddei, Henrique Tavares, Chico Vereza, Alexandre Regis e Luciana Fregolente.


Em 2016, o Zorra foi indicado ao Emmy Internacional. Apesar de não ter levado o prêmio, o novo formato desenvolvido por uma equipe bastante diversificada conseguiu despertar o interesse de produtores estrangeiros. Nós conversamos com o autor-roteirista Henrique Tavares, para entender como funciona o trabalho dos roteiristas nesse novo modelo de criação e produção do ZORRA.

Reformulação do ZORRA resulta em indicação ao Emmy Internacional

1 – O que motivou a reformulação do Zorra Total? Qual era o objetivo dessa reformulação?

Henrique Tavares: O formato anterior, de muito sucesso, já estava desgastado. Foram muitos anos na programação. A mudança era necessária. O novo Zorra abandonou o humor centrado em personagens caricatos e seus bordões e partiu para esquetes de situação. Deu certo.

2 – Como é o perfil dessa equipe? Havia um roteirista chefe, roteiristas, pesquisadores, colaboradores, humoristas?

HT: A redação final é de Marcius Melhem, Celso Taddei e Gabriela Amaral. Eles formaram uma equipe que reúne roteiristas de perfis variados, profissionais da TV, do Teatro, tem Músico, Cartunista. A diversidade do grupo é uma de suas maiores qualidades.

3 – Quantos roteiristas fizeram parte do projeto? E quanto tempo durou esse trabalho de criação?

HT: A reformulação do Zorra foi feita ao longo de um ano. A equipe tem 20 roteiristas. A criação do humor precisa de várias cabeças pensantes. O objetivo é ter um programa variado, rico em ideias e situações diferentes.

4 – Você pode descrever um dia típico de trabalho da equipe de roteiro? Quais atividades faziam, como eram os debates, a escrita?

HT: A equipe é dividida em dois grupos. Cada grupo se encontra duas vezes por semana na redação. É uma reunião onde vendemos as ideias pra mesa. A mesa é soberana. Algumas ideias morrem ali mesmo, mas a maioria melhora com a ajuda dos colegas. Escrevemos os esquetes em casa e mandamos pra redação final. De lá, segue pra produção.

Celso diz que esquetes são como tartaruguinhas marinhas que nascem na praia. Poucas sobrevivem e chegam a vida adulta. Nesse processo que vai da venda da ideia até a produção, gravação e edição, muitos esquetes naufragam. É normal. Temos um compromisso com a qualidade. Só vai ao ar o que realmente achamos bom.

Outra coisa bacana no Zorra é que os roteiristas participam de todas as etapas da produção. Além de escrever, nós escalamos o elenco, montamos e editamos o programa. Isso é realmente especial.

5 – Como foi a participação dos diretores no processo de reestruturação do Zorra? Eles estavam presentes nas reuniões dos roteiristas? A troca com os diretores era intensa, ou ela aconteceu mais no set de gravação?

HT: Maurício e Mauro Farias comandam uma equipe incrível de diretores. Temos o privilégio de ter um canal de diálogo aberto com eles. Participamos de reuniões e quando necessário, estamos presentes no estúdio. Esse trabalho em conjunto faz toda a diferença. Todo mundo sai ganhando.

6 – Houve participação ativa também dos humoristas e atores?

HT: Nossa troca com o elenco também é constante. Já recebemos alguns atores para um café na redação. Dessas conversas surgiram ideias pra novos esquetes.

7 – Existiu algum perfil de texto, esquetes ou de piadas que vocês procuraram evitar? Por qual motivo?

HT: Evitamos piadas homofóbicas e machistas, por exemplo. Estamos sempre do lado dos mais fracos. A opção é ridicularizar os opressores, nunca os oprimidos.

8 – O que essa indicação ao Emmy significou para a equipe do Zorra Total?

HT: Foi um reconhecimento importante, mas a luta continua. A indicação já é passado. O objetivo agora é fazer ainda melhor em 2017.

9 – Vamos falar do evento agora: Como foi a recepção do Zorra pelos produtores internacionais?

HT: Alguns produtores internacionais tiverem interesse em fazer o programa nos seus países. Isso deixa a gente feliz porque prova o quanto o Zorra se tornou contemporâneo e universal.

10 – Alguma curiosidade sobre a premiação?

HT: Desconfio que o whisky era falsificado. Hahaha!

61 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Mulheres e gênero no 8M

O COMITÊ DE MULHERES & GÊNERO da ABRA em parceria com a Colabcine promove durante três semanas debates sobre a questão de gênero, narrativas femininas e inteligência artificial na criação audiovisual.

Associadas têm desconto no Rio2C 2023

Pelo segundo ano consecutivo temos 20% de desconto nas entradas Industry ou Creator. Para ter acesso ao seu desconto basta enviar um e-mail para secretaria@abra.art.br e pedir o seu código promocional

bottom of page