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Um adeus a Cláudia Levay

Aos amigos da AR:

Em novembro passado, fui esmagado por uma notícia absolutamente terrível: nossa querida Cláudia Levay, nos abandonou! Com sua delicadeza e suavidade, nos poupou, ao esconder uma câncer letal.

Deixou órfãos as indiazinhas Tainá e Catiti, que roteirizou para o cinema três vezes e todos os bichos bons da floresta onde brincavam as personagens infantis que fascinaram as crianças.

A notícia me chegou pela voz do Álvaro de Moya ao telefone, seu marido e meu amigo. Não consegui assimilar a primeira frase do Moya. Meu ouvido estava absurdamente surdo.

– O que Moya?! Quem?!

– A Cláudia…

– Acho que eu entendi mal. Repete…

Era tristemente real…

Grande talento a Cláudia, não apenas pelo seu trabalho em Tainá, o grande sucesso do cinema brasileiro, como também pela imensa obra em tiras que ela, como escritora e desenhista premiava a gurizada.

Premiada não apenas por Tainá, mas por vários trabalhos no Brasil e Estados Unidos, deixou a profissão de advogada para seguir a intuição de seu imenso talento!

“…lágrima maior que toda a imensidão do rio Amazonas…”

(Foi assim que iniciei, em 2004, a apresentação para seu romance Tainá)…


A frase acima, contida no livro de Cláudia Levay, coloca o adulto diante do encantamento da poesia, mas estimula  e provoca na criança um sentimento diferente… emoção e afeição pelo menino capaz de chorar um rio por causa de seu cachorrinho perdido.

A poesia é parte inerente da emoção infantil, aceita com naturalidade pela criança, sem ilações literárias, metáforas ou simbologia… Cláudia sabe ou intui isso: o universo mágico dos pequenos leitores torna o faz-de-conta real.

Li o livro com olhos adultos, pobre de mim! Mas, de repente, ele me remeteu ao lúdico de minha infância: o cachorrinho que me seguia pelas ruas, o imaginário das gigantescas vitórias-régias, a imensidão amazônica, o poder dos pajés, a torcida pelas meninas índias Tainá e Catiti contra a vilania adulta, numa narrativa com a familiaridade e o envolvimento lúdico do cinema. A origem dessa história deliciosa é um roteiro de cinema, o que propicia um arcabouço de peripécias mirabolantes, ganchos, suspenses, muita ação!

E no livro, regada por boa literatura, está sempre presente a questão básica para o futuro da humanidade:  o alerta contra a predação ruinosa da fauna e da flora.

“…fantasmas de bichos que morreram de tristeza nas gaiolas”.

Poesia para meu coração… ensinamento e emoção para o coração infantil.

Lauro Cesar Muniz

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